fechar

O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

JOSÉ APARECIDO
José Aparecido de Oliveira nasceu no distrito de Conceição do Mato Dentro, chamado São Sebastião do Rio Preto, antiga Vila do Príncipe, a cerca de 250 km de Belo Horizonte (MG), em 17 de fevereiro de 1929. Filho de Modesto Justino de Oliveira Junior e Araci Pedrelina de Lima Oliveira, seu nome foi uma homenagem de sua mãe a Nossa Senhora Aparecida, fato com o qual Aparecido gostava de brincar, dizendo: "Nada pode me atingir, sou descendente direto de Nossa Senhora Aparecida!"

O mineiro José Aparecido completou os estudos em Ouro Preto e Belo Horizonte. Jornalista formado iniciou a carreira na Rádio Inconfidência, dando continuidade a ela no Diário do Comércio, no Correio do Dia e no Estado de Minas. Foi diretor da Revista Alterosa e trabalhou no Correio da Manhã, no Rio de Janeiro. Dirigiu, também, a Associação Mineira de Imprensa, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais e a Federação Nacional dos Jornalistas. Como reconhecimento do seu trabalho efetivo no meio jornalístico, foi o orador oficial do Primeiro Congresso Mundial de Jornalistas, em 1953, em Santiago do Chile.

Também se destacou, na condição de jornalista, como um dos mais combativos líderes da democracia brasileira, o que possibilitou sua entrada na vida pública, em 1960, no movimento que conduziu Jânio Quadros à Presidência da República. Tornou-se secretário particular de Jânio, em 1962. Nesse mesmo ano, José Aparecido foi eleito deputado federal pela União Democrática Nacional (UDN), sendo um dos mais votados em Minas Gerais.

Em 1964, com o golpe militar teve o mandato parlamentar cassado. Ficou fora da política por quase duas décadas, apesar de apresentar protesto judicial por intermédio de seu advogado, Sobral Pinto. Em 1982, obteve de volta seus direitos políticos, foi reeleito deputado federal por Minas Gerais e convidado pelo então governador Tancredo Neves para criar a Secretaria de Estado da Cultura, sendo seu primeiro titular. Como secretário de Cultura promoveu o Fórum Nacional de Secretários da Cultura.

Em 1985, quando foi eleito presidente do Brasil, Tancredo Neves convidou José Aparecido para ser ministro de Estado da Cultura, cargo instituído pela primeira vez em âmbito nacional. Com a morte de Tancredo Neves, o então empossado presidente José Sarney convidou o mineiro José Aparecido para governar o Distrito Federal, cargo que ocupou de 1985 a 1988.

Governador do Distrito Federal, José Aparecido retomou o projeto de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer da construção de Brasília e ajudou conquistar para a cidade o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, inserido na Lista de Monumentos Mundiais da United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO). E, com seu espírito empreendedor, José Aparecido foi um dos governadores que mais fez pelo desenvolvimento e pelo progresso da capital. Preocupado com os problemas estruturais que se apresentavam, iniciou, entre outras coisas, a despoluição do Lago Paranoá.

Lutou pela preservação do solo e começou os estudos para a construção do metrô. Construiu a cidade-satélite de Samambaia e o Jardim Botânico. Incentivou a cultura, proporcionando a realização de diversos espetáculos. Sua visão futurista proporcionou a construção de monumentos públicos, a exemplo do Panteão da Pátria, Pira da Pátria, Museu de Arte de Brasília, Memorial dos Povos Indígenas e dos espaços Oscar Niemeyer e Lúcio Costa.

Ainda no governo Sarney, de 1988 a 1990, José Aparecido regressou ministro ao Ministério da Cultura e, depois de muito empenho e negociações, em 3 de novembro de 1989, no Maranhão, conseguiu que fosse assinado o Ato Constitutivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa abarcando países como Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Em 1992, durante o governo do presidente Itamar Franco, José Aparecido foi nomeado embaixador do Brasil em Portugal e apresentou a proposta de criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que foi concretizada em junho de 1996 integrando todos os países em que o português é a língua oficial: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

José Aparecido também exerceu o cargo de assessor especial de relações internacionais do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, e presidiu a Fundação Oscar Niemeyer.

Casado com Maria Leonor Gonçalves e pai de Maria Cecília e do deputado federal pelo PV José Fernando Aparecido de Oliveira, José Aparecido de Oliveira faleceu no dia 19 de outubro de 2007, aos 78 anos, de insuficiência respiratória, no Hospital Madre Teresa, em Belo Horizonte. Foi velado no Palácio da Liberdade e sepultado na sua cidade natal.

Conhecido e respeitado por fazer amigos em todas as áreas em que atuava, José Aparecido ganhou a admiração de governantes de vários países, tendo sido condecorado em alguns deles. Sua biografia pode ser lida em dois livros: Jânio Quadros e José Aparecido – o romance da renúncia, de José Augusto Ribeiro, e José Aparecido – inventor de utopias, de Alan Viggiano.

Entre seus amigos, além dos políticos citados, podemos incluir o político e empresário Magalhães Pinto, Carlos Castello Branco e Otto Lara Rezende. O escritor e cartunista Ziraldo, não escondendo a admiração que tinha por Aparecido, o chamava de "o melhor mineiro do mundo". Nas palavras de outro escritor, Millôr Fernandes, podemos perceber o perfil de um homem que deixou muitos admiradores:

"Dificilmente um homem sem eira nem beira, como José Aparecido de Oliveira, consegue a emocionante satisfação de ser o centro de uma espontânea confraria de pessoas ilustres, importantes, talentosas ou até mesmo pura e simplesmente belas."

O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

Foto: Arquivo Público do DF