fechar

O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

JOAQUIM CARDOZO
As belezas das linhas curvas e modernas de Brasília também tiveram o dedo de um poeta. Das mãos de Joaquim Cardozo saíram os cálculos estruturais dos mais importantes monumentos da Capital Federal. O engenheiro – ao lado de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa – deu formas sensíveis à arquitetura do Palácio da Alvorada, do Palácio do Planalto, do Palácio do Itamaraty, do Congresso Nacional, do Cine Brasília, da Igreja Nossa Senhora de Fátima e da Catedral. Grande estudioso e conhecedor da Matemática, o poeta, dramaturgo e engenheiro inovou os métodos tradicionais do cálculo estrutural no Brasil.

Filho de José Antônio Cardozo e Elvira Moreira Cardozo, nascido no Bairro do Zumbi, em Recife, a 26 de agosto de 1897, Joaquim Maria Moreira Cardozo estudou no Ginásio Pernambucano. Ainda menino, mostrava suas primeiras habilidades com o texto. Editou o jornal O Arrabalde: órgão lítero-elegante, com sede em Tejipió (PE), onde fez a sua estreia literária publicando um primeiro conto intitulado "Astronomia alegre", na edição de 15 de novembro de 1913. No ano seguinte, iniciou-se como caricaturista e chargista nas publicações de domingo do Diário de Pernambuco e do Diário da Tarde. Sua dedicação à Engenharia era dividida com a paixão pela escrita.

O pernambucano entrou na Escola de Engenharia em 1915. Com a morte do pai, enfrentou grandes dificuldades econômicas e pessoais para concluir os estudos. Em 1930, consegue finalmente diplomar-se em Engenharia Civil. Durante esse período, prestou o serviço militar. Seu primeiro emprego foi como topógrafo na Comissão Geodésica do Recife. Trabalhou também como desenhista do Departamento de Engenharia em projetos de irrigação e perfuração de poços tubulares – com o engenheiro alemão Von Tilling – para vários municípios de Pernambuco.

Após a morte de Von Tilling, o estudante de Engenharia foi encarregado do projeto de irrigação de uma das ilhas do Rio São Francisco. Em seguida, fez os cálculos das curvas parabólicas verticais da primeira rodoviária com pavimentação em concreto do Nordeste. A partir de 1931, engenheiro recém-formado, trabalhou na Secretaria Estadual de Viação e Obras Públicas.

Numa cerimônia, em 1939, na qual era paraninfo de uma turma de engenharia, profere um discurso considerado subversivo pelo governo de Pernambuco. As desavenças políticas levam o mestre Joaquim Cardozo a transferir-se para o Rio de Janeiro, em 1940. Nesta época passa a colaborar com o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN).

Em 1941, é convidado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, para desenvolver os cálculos do conjunto da Pampulha. Mais tarde, em 1956, com a construção de Brasília, integra, novamente, a equipe de Niemeyer, com a responsabilidade pelos cálculos estruturais das principais edificações da Nova Capital. Para viabilizar as obras de palácios e monumentos precisou ousar na maneira de calcular, quebrou regras de Engenharia, como a que estabelecia o uso de no máximo 6% de barras de ferro nas estruturas de concreto. Na trama das colunas do Palácio da Alvorada, Joaquim colocou 20% de ferro e conseguiu o efeito de as colunas parecerem apenas tocar no chão. Foi intuindo e reinventando a maneira de calcular que o engenheiro possibilitou que os prédios adquirissem a beleza idealizada.

Além dos monumentos da Capital Federal, Cardozo calculou obras em Recife, como o Pavilhão Luís Nunes, atual sede do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), a Escola Alberto Torres e a Caixa-d´água de Olinda.

No entanto, em 1971, envolveu-se em grande polêmica na época da queda do Pavilhão da Gameleira, em Belo Horizonte – obra desenhada por Oscar Niemeyer que ruiu causando a morte de 68 operários. O acidente levou o engenheiro a uma crise de depressão profunda. Terminou sendo absolvido do processo no qual era acusado de erro de cálculo, mas o prejuízo emocional foi irreversível.

Poesias – Paralelo à Engenharia, a vida do pernambucano era dividida pela paixão às poesias. Joaquim Cardozo começou a escrever versos na adolescência. Ainda tímido, preferia guardar seus trabalhos. Na Revista do Norte, publicou os primeiros poemas e ilustrações. Em 1925, a revista veiculou seu poema mais famoso, escrito em 1924: "Recife morto". Mas seu primeiro livro surgiu apenas em 1947 – por pura insistência dos amigos. E boas influências não faltaram a ele. Conviveu durante muito tempo com poetas modernistas, como Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto. Aos poucos, foi deixando a timidez de lado e passou a divulgar seus trabalhos. Usava como tema, principalmente, seu Recife e o Nordeste brasileiro.

Joaquim Cardozo tinha uma memória prodigiosa. Decorava todos os seus poemas e não os modificava, em nenhuma vírgula, quando os recitava. Publicou várias obras, entre elas: Poemas (1947); Pequena antologia pernambucana (1948); Signo estrelado (1960); Coronel de Macambira (1963); De uma noite de festa (1971); Poesias completas (1971); Os anjos e os demônios de Deus (1973); O capataz de Salema; Antonio Conselheiro; e Marechal, boi de carro (1975); O interior da matéria (1976); Um livro aceso e Nove canções sombrias (1981, póstumo).

Integrou a direção e o conselho de redação da Revista Módulo, de 1955 a 1958, ao lado dos amigos Oscar Niemeyer, Rodrigo de M. F. de Andrade, Marcos Jaimovich, Rubem Braga, Vinícius de Moraes, José de Souza Reis e Arthur Lúcio Pontual.

O pernambucano trabalhou como tradutor e crítico de arte. Ocupou a Cadeira 39 da Academia Pernambucana de Letras. Eleito em 18 de fevereiro de 1975, tomou posse em 6 de setembro de 1977. Foi professor das escolas de Engenharia e Belas-Artes (década de 1930), em Recife. Escreveu, também, sobre questões pertinentes à Engenharia e à Arquitetura.

Joaquim Moreira Cardozo doou sua biblioteca, com aproximadamente 7.500 títulos, à Universidade Federal de Pernambuco. Recebeu muitas homenagens, entre elas a de sócio benemérito do Instituto de Arquitetura do Brasil (IAB-PE). Recebeu o título Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O engenheiro morreu em Olinda (PE), no dia 4 de novembro de 1978, aos 81 anos.

Obras em parceria com Oscar Niemeyer

. Pampulha – Cassino da Pampulha, projetado em 1940 e concluído em 1942, em Belo Horizonte;

. Pampulha – Iate Clube, projetado em 1940 e concluído em 1943, em Belo Horizonte;

. Pampulha – Igreja São Francisco de Assis, projetada em 1944 e concluída em 1945, em Belo Horizonte;

. Edifício sede do Banco Boavista, projetado em 1946 e concluído em 1947, no Rio de Janeiro;

. Fábrica Duchen, projetada em 1950 e concluída em 1951, em São Paulo;

. Edifício JK, projetado em 1951, em Belo Horizonte;

. Hotel Diamantina, projetado e construído em 1951, em Diamantina (MG);

. Palácio da Alvorada, projetado em 1957 e concluído em 1958, em Brasília;

. Palácio do Planalto, projetado em 1958 e concluído em 1960, em Brasília;

. Congresso Nacional, projetado em 1958 e concluído em 1960, em Brasília;

. Catedral Metropolitana de Brasília, projetada em 1959 e concluída em 1970, em Brasília.

O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

Foto: Biblioteca Joaquim Cardozo