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BURLE MARX
O projeto dos mais belos jardins de Brasília tem uma assinatura: Roberto Burle Marx Obras. O artista deixou marcas de sua matéria-prima viva no Plano Piloto e inovou ao usar o buriti – uma espécie de palmeira – nos espaços urbanos. Quando a pintora modernista Tarsila do Amaral conheceu as praças de Burle Marx, logo o chamou de Poeta dos Jardins. E, assim, sintetizou uma das grandezas do paisagista: projetar áreas verdes como quem pinta um quadro. Foi deste modo que o artista ganhou renome internacional e conseguiu aliar o seu talento aos traços modernos da nova Capital Federal.

O amor pela música e pelas plantas veio desde criança. O menino Roberto, nascido em São Paulo em 4 de agosto de 1909, adorava acompanhar a mãe nos cuidados diários com as rosas, as begônias, os antúrios, os gladíolos, os tinhorões e outras espécies no jardim que mantinha em casa, ao pé do morro da Babilônia (RJ). Burle Marx aprendeu, também, a preparar os canteiros e a observar a germinação das sementes.

Em razão do grande talento, recebeu seu primeiro convite de trabalho, feito pelo vizinho Lucio Costa. Em 1932, preparou o paisagismo de uma casa desenhada e projetada pelo amigo. Desde então construiu um laço de amizade com o arquiteto, vínculo que permaneceu durante toda a sua vida.

A relação de Burle Marx com Brasília, em contrapartida, sempre foi conflituosa. Tudo começou após a divulgação do edital de concurso do Plano Piloto. O renomado paisagista – insatisfeito com as discussões – criticou a falta de um projeto paisagístico para a nova capital. Se, por um lado, a arquitetura da cidade estava em pauta, por outro, o talento de Marx, até então, não havia sido aproveitado.

Projetos – Após o desentendimento, Marx recebeu o convite do amigo Lucio Costa para projetar os jardins do Palácio do Itamaraty, do Palácio da Justiça, do Palácio do Jaburu, do Teatro Nacional, do Tribunal de Contas da União, da Praça das Fontes (Parque da Cidade) e da Praça dos Cristais (no Setor Militar Urbano). Ele também foi responsável pelo paisagismo da Superquadra 308 Sul, além das áreas verdes das embaixadas da Alemanha, dos Estados Unidos, do Irã e da Bélgica.

Burle Marx era metódico. Primeiro desenhava os jardins no papel, depois escolhia as espécies pela cor e pelo formato. Muitas vezes, saía cerrado afora à procura de plantas nativas que pudessem ser transplantadas para jardins modernistas. Numa das aventuras, levou os buritis para os jardins do Palácio do Itamaraty, única obra tombada do artista. Ele defendia que a água vivificava o verde.

Considerado um dos maiores paisagistas do século XX no Brasil, ele rejeitou as flores exóticas usadas e trouxe para as praças da cidade a antes desprezada vegetação nativa. Assim como os modernistas Oscar Niemeyer e Lucio Costa, Burle Marx marcou seu nome na história da Capital Federal compondo jardins como quem cria obras de arte. O artista morreu no Rio de Janeiro, com 84 anos, no dia 4 de junho de 1994.

Trajetória – Roberto Burle Marx morou grande parte de sua vida no Rio de Janeiro, onde estão localizados seus principais trabalhos. No entanto, sua obra ainda pode ser encontrada ao redor de todo o mundo. O paisagista era o quarto filho de Cecília Burle e Wilhelm Marx, judeu alemão, nascido em Stuttgart e criado em Trier (cidade natal de Karl Marx, primo de seu avô).

Com 19 anos, passou por um grave problema de saúde. Após uma inflamação nos olhos, teve de se mudar para a Alemanha com a família em busca de tratamento. Lá, ficou até 1929, onde teve contato com as vanguardas artísticas e conheceu um Jardim Botânico com uma estufa mantendo vegetação brasileira, pela qual ficou fascinado. A partir de então, começou a participar na definição da Arquitetura Moderna Brasileira.

Entre 1930 e 1934, o artista frequentou a Escola Nacional de Belas- Artes, no Rio de Janeiro. Assim que concluiu o curso, assumiu a Diretoria de Parques e Jardins do Recife, onde projetou praças e jardins públicos na cidade. Em 1937, criou o primeiro Parque Ecológico da cidade.

Burle Marx, em 1949, comprou um grande sítio de 365.000 m2, em Guaratiba (RJ). Lá, abrigou uma coleção de plantas. Quatro anos mais tarde, projetou os jardins da Cidade Universitária do Brasil, também no Rio de Janeiro, e o jardim do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte. Em 1955, realizou o projeto de paisagismo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Com a construção da Capital Federal, ficou responsável, em 1961, pelo projeto de paisagismo do Eixo Monumental de Brasília. No mesmo ano, trabalhou nos jardins da Embaixada do Brasil em Washington (Estados Unidos). Na década de 1970, fez o projeto do Palácio Karnak, sede oficial do Governo do Piauí e recebeu a Comenda da Ordem do Rio Branco do Itamaraty, em Brasília. No ano de 1982, recebeu títulos de Doutor Honoris Causa da Academia Real de Belas-Artes de Haia (Holanda) e do Royal College of Art em Londres (Inglaterra).

Com cabelos e bigodes brancos, Marx havia passado dos setenta anos. Mesmo assim, decidiu coordenar uma expedição científica à Amazônia. Ao lado de botânicos, arquitetos paisagistas e fotógrafos percorreu mais de dez mil quilômetros em 53 dias de observação, coletou espécies e documentou plantas vivas para pesquisa. Em 1985, Burle Marx doou seu sítio em Guaratiba com todo o acervo à Fundação Pró-Memória Nacional, hoje conhecida como Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Roberto Burle Marx projetou mais de dois mil jardins durante a vida. Homem de múltiplas artes, também foi desenhista, pintor, tapeceiro, ceramista, escultor, pesquisador, cantor e criador de joias, sensibilidades que conferiram características específicas a toda a sua obra.

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Foto: Arquivo Público do DF