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BERNARDO SAYÃO
O ano era 1959. O dia, 15 de janeiro. Uma notícia comove os trabalhadores que erguiam a nova Capital: acidente tira a vida de Bernardo Sayão. Ele inspecionava a abertura de uma rodovia na floresta amazônica quando um galho de árvore caiu sobre a barraca de lona onde trabalhava. Brasília parou. Uma onda de tristeza paralisou o frenético ritmo dos canteiros de obras.

Conhecido como "Desbravador da floresta", Sayão foi encarregado pelo presidente Juscelino Kubitschek (JK) de construir a estrada Transbrasiliana (Belém-Brasília), que passaria a ligar, numa extensão de 2.240 quilômetros, a capital e o Norte do país. Ironicamente, não pôde participar da inauguração da estrada, marcada para 1º de fevereiro.

Abrir estradas Brasil afora era o desafio predileto daquele engenheiro a serviço de JK e de Brasília. Com um machado na mão, encorajava milhares de trabalhadores a enfrentar os perigos da floresta. Mas a história de Bernardo Sayão Carvalho de Araújo começou muito antes da Belém-Brasília.

Nascido em 18 de junho de 1901, no Rio de Janeiro, Bernardo cresceu admirando o pai, João Carvalho de Araújo, diretor da Central do Brasil. Em 1923, formou-se pela Escola Superior de Agronomia e Medicina Veterinária de Belo Horizonte (MG), onde apresentou como principal projeto o desenvolvimento da região central do Brasil. Desde jovem, sonhava em conhecer o Estado de Goiás. Acreditava que poderia contribuir de alguma forma para o florescimento da nova fronteira. Em 1925, casou-se com Lygia Mendes Pimentel, que veio a falecer dez anos depois. Desse seu casamento nasceram Léa e Laís.

Em 1939, viria enfim para a região central do país, onde se casaria novamente, dois anos mais tarde, com Hilda Fontenele Cabral, com quem teve quatro filhos: Fernando, Bernardo, Lia e Lílian. Sua dedicação ao trabalho logo lhe trouxe fama em Goiás. Em 1941, a convite de Getúlio Vargas, passou a dirigir a implantação de uma colônia agrícola, a primeira de uma série de que seria aberta no Oeste goiano.

Em 1944, Sayão concluiu os 142 quilômetros de estrada que passariam a ligar a então Colônia Agrícola de Ceres à cidade de Anápolis. Em 1954, foi eleito vice-governador do Estado de Goiás, com votação superior à do próprio governador eleito. Em setembro de 1956, foi nomeado como um dos diretores da Novacap, juntamente com Israel Pinheiro (presidente), Ernesto Silva e Iris Meinberg (diretores). Construiu a pista de pouso que permitiu ao presidente Juscelino e sua comitiva, em outubro de 1956, fazerem a primeira visita ao local onde seria construída da nova Capital.

Sayão mudou-se com a família para Brasília, em 1957, estando, assim, entre os primeiros "candangos". Na época, a futura Capital Federal não passava de um aglomerado de canteiros de obras, razão pela qual seu primeiro endereço era um barraco de madeira em Candangolândia, hoje região administrativa do Distrito Federal. Seus filhos foram matriculados na única escola disponível, com quatro salas de aula. Como diretor da Novacap, ele tinha direito de morar no Catetinho e dirigir um carro novo, privilégios que recusou, preferindo a rotina ao lado dos trabalhadores.

No ano seguinte, atendeu ao chamado de JK para tocar o projeto da Transbrasiliana. Quando a obra já estava quase pronta para a inauguração, sobreveio o referido acidente. Sayão era um homem forte, com 1 metro e 84 centímetros de altura, mas não resistiu. Esperou por cinco horas para ser socorrido. Não havia médicos no local. Desesperados, os operários o carregaram ferido até uma clareira onde pudessem ser vistos de avião, formando uma grande cruz humana, sinalizando a emergência, de fato avistada por um piloto. Não havendo condições de aterrissagem, o resgate teve de ser feito por um helicóptero que o conduziu à cidade mais próxima com hospital, Açailândia (MA). Mas ele morreu pouco antes da chegada.

A notícia alastrou-se rapidamente pelo país. Muitos não acreditavam no que havia acontecido. Todos se perguntavam: "Como um homem robusto, conhecido como desbravador dos sertões, teria morrido por causa de uma árvore?". Assim que soube do trágico falecimento de seu chefe, o motorista Benedito Segundo, enfartou-se, morrendo na mesma hora.

Uma das principais características desse grande pioneiro foi a humildade. Não distinguia ricos e pobres. Comia da mesma comida e bebia da mesma água dos "candangos". Terno e gravata? Nem pensar! Bernardo Sayão não era dado a usar roupas de "doutor". Para homenageá-lo, JK registrou oficialmente a estrada com o nome de Rodovia Bernardo Sayão. Ele foi a primeira pessoa a ser enterrada no cemitério da Nova Capital, o Campo da Esperança.

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Foto: Arquivo Público do DF